sábado, outubro 27, 2012
[edit]
If you're feeling sad and lonely
There's a service I can render
Tell the one who loves you only
I can be so warm and tender
Call me
Don't be afraid, you can call me
Maybe it's late, but just call me
Tell me, and I'll be around
When it seems your friends desert you
There's somebody thinking of you
I'm the one who'll never hurt you
Maybe that's because I love you
Call me
Don't be afraid, you can call me
Maybe it's late, but just call me
Tell me, and I'll be around
Find more similar lyrics on http://mp3lyrics.com/JDLD
Now don't forget me
'Cause if you let me
I will always stay by you
You've got to trust me
That's how it must be
There's so much that I can do
If you call I'll be right with you
You and I should be together
Take this love I long to give you
I'll be at your side forever
Call me
Don't be afraid, you can call me
Maybe it's late, but just call me
quinta-feira, outubro 25, 2012
venerando eu repercuto e aconselho e abro e disponibilizo e falo e estejo e rastejo e convoco e canto e bato tambor, porra.
o amor é importante e vosso
a cultura me tropeça enquanto eu respiro nesse mundo vil, que sina encarnar tantos pensamentos, que trabalho esse de pensar e filosofar. Gostasse de futebol tava tudo mais tranqüilo. Mas me toca, me toca escrever e expor e denunciar e me incomodar e me divertir com isso, tudo bem, foi eu quem escolhi, estamos todos jogando.
mil beijos de amor
mil versos de sim.
te amo, te preciso, te venero te coro e deito
estudo parlamentar convidado confesso
não edito não tolero não planejo não condeno
fluo vejo eternizo embalo
assim
de simples e já
tchubiruba
A verdade é que eu não consigo olhar pra ti e não pensar em muitas coisas pra fazer contigo, como te abraçar, te apertar o rosto, te alimentar, te dar leite, te cuidar, te esfregar e te querer. Você é o todo-atraente, o KRSNA encarnado que exubera vitalidade e atraência pelo canal do seu ser. Sou sua eterna devota, faça comigo o que quiser, quando quiser, aonde quiser por onde quiser.
sexta-feira, abril 27, 2012
quarta-feira, março 21, 2012
o zen do esadof
conversei
conversei muito
e então melhorou
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venerando a condição o catavento a contraregra
o amor a certeza da sutileza para tratar com todo
semente e surpresa vivente de coisas
sonhei e então cresci
e dividi e reintegrei
e voltei atrás
e errei feio
e cansei
e falei
e então melhorou
conversei muito
e então melhorou
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venerando a condição o catavento a contraregra
o amor a certeza da sutileza para tratar com todo
semente e surpresa vivente de coisas
sonhei e então cresci
e dividi e reintegrei
e voltei atrás
e errei feio
e cansei
e falei
e então melhorou
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
May today be for you
A truly special day
A time of sober reflection
As you quietly celebrate
For God has surely blessed you
Through all the years gone by
But the best years are still to come
As you journey on through life
by M.S.Lowndes
A truly special day
A time of sober reflection
As you quietly celebrate
For God has surely blessed you
Through all the years gone by
But the best years are still to come
As you journey on through life
by M.S.Lowndes
quinta-feira, janeiro 05, 2012
sobre poder
Eu não acho que é uma boa saída, uma boa solução a gente ocupar o poder, ocupar lugares de poder. Eu acho que nossa questão é desconstruir o poder. O poder – se ele é masculino, se ele é feminino, se ele é negro, se ele é branco, se ele é índio... – só acontece a partir da impotência. Não há poder que não se alimente da impotência, que não precise das paixões tristes pra viver. Todo poder, ele está fundado na impotência. Então, isso pode até gerar algum tipo de confusão porque vocês podem pensar: “bom, mas então o que sobra? Se não tem o poder, se os que ocuparam o poder, os que ocupam o poder, os que têm poder, os que exercem poder simplesmente... devem ser varridos, devem ser eliminados e não ter mais poder de forma alguma?”. É exatamente o contrário: o que sobra é o que há de pleno na vida.
O poder é que deixa a vida imperfeita, que deixa a vida triste, que deixa a vida tediosa, que faz nos sentir ridículos, impotentes, tristes, entediados, depressivos e todas as desqualificações que a gente possa aqui enumerar. É o poder que na verdade obstrui os poros, as passagens dos afetos, das forças, dos tempos próprios que nos atravessam e que nós não sabemos mais tocar, nós não temos mais a sensibilidade pra essas forças, não temos mais a visão do tempo ou do imperceptível pro tempo próprio que nos atravessa, pro ritmo do nosso coração (não simplesmente como uma metáfora do coração, mas de fato um ritmo)... Não há ser neste universo que não tenha ritmo próprio, que não tenha vibração própria, que não crie tempo, que não crie espaço, que não crie corpo, a não ser quando ele perdeu a capacidade de reencontrar a fonte que o alimenta. E na medida em que a gente perde a capacidade de reencontrar a fonte que nos sustenta – que nos faz respirar, que nos faz ouvir, que nos faz falar, que nos faz pensar, que nos faz escrever, que nos faz andar, que nos faz ler, que nos faz acontecer... –, na medida em que a gente perde a relação com essa fonte, a gente pensa que o acontecimento é o lugar de uma banalização, de uma vulgarização, de uma desqualificação da vida. A vida não está mais no acontecimento. E a gente desinveste o acontecimento em prol de uma referência...
De um filósofo chamado Luiz Fuganti.
O poder é que deixa a vida imperfeita, que deixa a vida triste, que deixa a vida tediosa, que faz nos sentir ridículos, impotentes, tristes, entediados, depressivos e todas as desqualificações que a gente possa aqui enumerar. É o poder que na verdade obstrui os poros, as passagens dos afetos, das forças, dos tempos próprios que nos atravessam e que nós não sabemos mais tocar, nós não temos mais a sensibilidade pra essas forças, não temos mais a visão do tempo ou do imperceptível pro tempo próprio que nos atravessa, pro ritmo do nosso coração (não simplesmente como uma metáfora do coração, mas de fato um ritmo)... Não há ser neste universo que não tenha ritmo próprio, que não tenha vibração própria, que não crie tempo, que não crie espaço, que não crie corpo, a não ser quando ele perdeu a capacidade de reencontrar a fonte que o alimenta. E na medida em que a gente perde a capacidade de reencontrar a fonte que nos sustenta – que nos faz respirar, que nos faz ouvir, que nos faz falar, que nos faz pensar, que nos faz escrever, que nos faz andar, que nos faz ler, que nos faz acontecer... –, na medida em que a gente perde a relação com essa fonte, a gente pensa que o acontecimento é o lugar de uma banalização, de uma vulgarização, de uma desqualificação da vida. A vida não está mais no acontecimento. E a gente desinveste o acontecimento em prol de uma referência...
De um filósofo chamado Luiz Fuganti.
sábado, novembro 26, 2011
(transcrito do "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer" de Sogyal Rinpoche)
Autobiografia em cinco capítulos
1)
Ando pela rua .
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio.
Estou perdido... sem esperança.
Não é culpa minha.
Levo muito tempo para encontrar a saída.
2)
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim levo um tempão para sair.
3)
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio... é um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.
4)
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.
5)
Ando por outra rua.
1)
Ando pela rua .
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio.
Estou perdido... sem esperança.
Não é culpa minha.
Levo muito tempo para encontrar a saída.
2)
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim levo um tempão para sair.
3)
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio... é um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.
4)
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.
5)
Ando por outra rua.
terça-feira, janeiro 11, 2011
Leia aqui os boletins astrológicos de SINCRONIA
TUDO UMA COISA SÓ.
Data estelar: Mercúrio e Júpiter em quadratura; Lua se aproxima da fase quarto crescente em Áries.
O mundo em que se desenvolve nossa existência não é mais do que um infinitesimal fragmento do Sistema Solar, o qual, junto com incontáveis outros sistemas e galáxias compõem o Universo. Na perspectiva espiritual tudo é o corpo de uma Vida colossal e inteligente que compenetra o infinito e o infinitesimal. Há uma constante interação entre as partes que compõem o Universo, da mesma forma que haveria interação entre os diversos órgãos que compõem nosso corpo físico. Pesquisar aquilo que unifica a aparente diversidade do infinito e infinitesimal Universo é também tentar compreender a Vida que vê a si mesma através de nossos olhos. O conhecedor, o objeto do conhecimento e o ato de conhecer, tudo uma coisa só.
TUDO UMA COISA SÓ.
Data estelar: Mercúrio e Júpiter em quadratura; Lua se aproxima da fase quarto crescente em Áries.
O mundo em que se desenvolve nossa existência não é mais do que um infinitesimal fragmento do Sistema Solar, o qual, junto com incontáveis outros sistemas e galáxias compõem o Universo. Na perspectiva espiritual tudo é o corpo de uma Vida colossal e inteligente que compenetra o infinito e o infinitesimal. Há uma constante interação entre as partes que compõem o Universo, da mesma forma que haveria interação entre os diversos órgãos que compõem nosso corpo físico. Pesquisar aquilo que unifica a aparente diversidade do infinito e infinitesimal Universo é também tentar compreender a Vida que vê a si mesma através de nossos olhos. O conhecedor, o objeto do conhecimento e o ato de conhecer, tudo uma coisa só.
quarta-feira, dezembro 22, 2010
Projeto para Escultura I
Rosetta stone em portunholish, com trecho da Carta da Jamaica, escrita por Simón Bolívar, em português, espanhol e inglês.
segunda-feira, dezembro 06, 2010
é pra sair da realidade e adentrar o que podemos, é pra falar fundo? então te digo que te memoro e que resolvo que a conseqüência da dignidade ofertosa relembra ensejos eferventes, vibrante, pungente, contrariante. não pensa você que é domável porque não é. é surfável, é processo, a onda está aí porque é e isso basta. e é tudo.
emergente.
Manoel de Barros
Um olhar
Eu tive uma namorada que via errado. O que ela via não era uma garça na beira do rio. O que ela via era um rio na beira da garça. Ela despratava as normas. Dizia que o seu avesso era mais visível do que um poste. Com elas as coisas tinham que mudar de comportamento. Aliás, a moça me contou uma vez que tinha encontros diários com as suas contradições. Acho que essa freqüência nos encontros ajudava a ver seu oblíquo. Falou po acréscimo que
emergente.
Manoel de Barros
Um olhar
Eu tive uma namorada que via errado. O que ela via não era uma garça na beira do rio. O que ela via era um rio na beira da garça. Ela despratava as normas. Dizia que o seu avesso era mais visível do que um poste. Com elas as coisas tinham que mudar de comportamento. Aliás, a moça me contou uma vez que tinha encontros diários com as suas contradições. Acho que essa freqüência nos encontros ajudava a ver seu oblíquo. Falou po acréscimo que
quarta-feira, novembro 17, 2010
enquadrando as arestas, arredondando as pontas
e convertendo e nominando e condizendo e conversando e se enquadrando, enrijescendo, e panfleteando e compreendendo.
competição sempre há, há que rir dela e entendê-la. E conquistá-la e suspendê-la
e disfarçá-la e admiti-la
que a chuva desça sobre mim
que o estampado tenha um fim
que a coisa toda se publique
e pretendendo dignifique
basta agradecer em vez de reclamar
basta compreender, basta se gostar
competição sempre há, que aperfeiçoar para crescer em cooperação. para formar a célula. em vez de eliminar o adversário, construir com ele algo maior, um corpo distinto, novo, resplandescente da experiência compartida. um organismo que se ajuda e se gere com amor e intenções. e tolerância e respeito. e desapego
enquadrando as arestas, arredondando as pontas
noite, há horas te espero
competição sempre há, há que rir dela e entendê-la. E conquistá-la e suspendê-la
e disfarçá-la e admiti-la
que a chuva desça sobre mim
que o estampado tenha um fim
que a coisa toda se publique
e pretendendo dignifique
basta agradecer em vez de reclamar
basta compreender, basta se gostar
competição sempre há, que aperfeiçoar para crescer em cooperação. para formar a célula. em vez de eliminar o adversário, construir com ele algo maior, um corpo distinto, novo, resplandescente da experiência compartida. um organismo que se ajuda e se gere com amor e intenções. e tolerância e respeito. e desapego
enquadrando as arestas, arredondando as pontas
noite, há horas te espero
terça-feira, outubro 19, 2010
Clóvis Da Rolt
(http://escafandro-respire.blogspot.com/2008_09_01_archive.html)
(In) utilidades
Não tenho vocação para a seriedade. Não me levem a sério. Não me chamem pelo nome, essa coisa insolúvel que adestra o ouvido e sempre me coloca entre os primeiros na lista dos mortos. Não, eu não quero servir um copo d’água, tampouco dar uma demão de tinta numa parede ou pagar o plano de saúde. Esbocei, às pressas, o meu projeto de vida. Tenho até o resto dos meus dias para executá-lo. Eis o que quero para a minha vida: Tatuar uma prece no vento. Fazer anéis com peixes dourados. Blasfemar em três línguas para um tríplice perdão. Guardar no bolso a própria sombra. Descobrir o gene da ausência. Nascer duplo para não precisar de espelhos. Ajustar as calotas polares aos pneus dos carros. Alfabetizar um pássaro para descobrir sua caligrafia. Extrair espinhos do umbigo da lua. Fecundar a areia para erigir castelos. Escrever uma bíblia para ateus. Declarar amor a um desconhecido. Esculpir um cemitério na garganta. Esboçar o retrato-falado do vermelho. Violentar um vidro de insônia. Imitar o gesso das pálpebras. Apertar a fivela do tempo. Guardar a morte numa gaveta. Orquestrar os parafusos da rua. Pentear um canteiro de violetas. Celebrar a liturgia dos fósseis. Trapacear o ensinamento das pérolas. Beber um rio sem gelo. Tricotar um gorro de arame farpado. Legalizar a procriação dos ácaros. Despir um santo para atestar sua humanidade. Queimar os livros que contêm a palavra fogo. Castigar o sorriso por não usar meias. Bordar um dicionário nos dedos. Desnudar o sexo das camas. Pagar a verdade em prestações. Soletrar o pecado dos sapatos. Engravidar relógios. Roer a margem do silêncio. Testemunhar o suicídio das pedras. Interpretar a gagueira da mímica. Confundir os pés da maresia. Ensinar álgebra aos vaga-lumes. Escrever um livro com os cabelos. Emascular o demônio para o triunfo da brisa. Tatear o teto da lã. Forjar o portão do espírito. Desdenhar a miséria dos cobertores. Afagar a língua dos violinos. Masturbar a dobradiça dos verbos. Engolir o sino da noite. Perscrutar o vício das plantas. Aprender a psicologia das esponjas. Projetar uma lápide para a água. Envenenar as unhas do aço. Costurar dez sóis num travesseiro. Tirar a neblina do banho. Estudar a anatomia do veludo. Construir uma igreja no ventre do anzol. Decretar a democracia dos tijolos. Saciar a fome com palavras. Amamentar o sono com sangue. Polir o assoalho do crepúsculo. Dissolver o guache do oxigênio. Filtrar a angústia pelos rins. Aprisionar Deus num cofre. Plantar algodão no oceano. Aderir à religião das aranhas. Deixar recados no mural dos calcanhares. Embriagar telefones. Esperar a visita dos cílios. Contar piadas ao detector de mentiras. Processar as portas por calúnia. Procurar a justiça num tonel de dentes. Despachar a boca pelo correio. Encomendar um féretro para os martelos. Construir uma ponte com as vértebras da luz. Guerrilhar na fronteira dos tapetes. Acompanhar o cortejo das montanhas. Cunhar moedas no tímpano. Parar um trem-bala com um bocejo. Dobrar o joelho dos postes. Curar a anemia das brasas. Proteger o amor com uma muralha de pó. Dançar com um vestido de escamas. Subir ao topo do fim.
Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 23/09/08
(In) utilidades
Não tenho vocação para a seriedade. Não me levem a sério. Não me chamem pelo nome, essa coisa insolúvel que adestra o ouvido e sempre me coloca entre os primeiros na lista dos mortos. Não, eu não quero servir um copo d’água, tampouco dar uma demão de tinta numa parede ou pagar o plano de saúde. Esbocei, às pressas, o meu projeto de vida. Tenho até o resto dos meus dias para executá-lo. Eis o que quero para a minha vida: Tatuar uma prece no vento. Fazer anéis com peixes dourados. Blasfemar em três línguas para um tríplice perdão. Guardar no bolso a própria sombra. Descobrir o gene da ausência. Nascer duplo para não precisar de espelhos. Ajustar as calotas polares aos pneus dos carros. Alfabetizar um pássaro para descobrir sua caligrafia. Extrair espinhos do umbigo da lua. Fecundar a areia para erigir castelos. Escrever uma bíblia para ateus. Declarar amor a um desconhecido. Esculpir um cemitério na garganta. Esboçar o retrato-falado do vermelho. Violentar um vidro de insônia. Imitar o gesso das pálpebras. Apertar a fivela do tempo. Guardar a morte numa gaveta. Orquestrar os parafusos da rua. Pentear um canteiro de violetas. Celebrar a liturgia dos fósseis. Trapacear o ensinamento das pérolas. Beber um rio sem gelo. Tricotar um gorro de arame farpado. Legalizar a procriação dos ácaros. Despir um santo para atestar sua humanidade. Queimar os livros que contêm a palavra fogo. Castigar o sorriso por não usar meias. Bordar um dicionário nos dedos. Desnudar o sexo das camas. Pagar a verdade em prestações. Soletrar o pecado dos sapatos. Engravidar relógios. Roer a margem do silêncio. Testemunhar o suicídio das pedras. Interpretar a gagueira da mímica. Confundir os pés da maresia. Ensinar álgebra aos vaga-lumes. Escrever um livro com os cabelos. Emascular o demônio para o triunfo da brisa. Tatear o teto da lã. Forjar o portão do espírito. Desdenhar a miséria dos cobertores. Afagar a língua dos violinos. Masturbar a dobradiça dos verbos. Engolir o sino da noite. Perscrutar o vício das plantas. Aprender a psicologia das esponjas. Projetar uma lápide para a água. Envenenar as unhas do aço. Costurar dez sóis num travesseiro. Tirar a neblina do banho. Estudar a anatomia do veludo. Construir uma igreja no ventre do anzol. Decretar a democracia dos tijolos. Saciar a fome com palavras. Amamentar o sono com sangue. Polir o assoalho do crepúsculo. Dissolver o guache do oxigênio. Filtrar a angústia pelos rins. Aprisionar Deus num cofre. Plantar algodão no oceano. Aderir à religião das aranhas. Deixar recados no mural dos calcanhares. Embriagar telefones. Esperar a visita dos cílios. Contar piadas ao detector de mentiras. Processar as portas por calúnia. Procurar a justiça num tonel de dentes. Despachar a boca pelo correio. Encomendar um féretro para os martelos. Construir uma ponte com as vértebras da luz. Guerrilhar na fronteira dos tapetes. Acompanhar o cortejo das montanhas. Cunhar moedas no tímpano. Parar um trem-bala com um bocejo. Dobrar o joelho dos postes. Curar a anemia das brasas. Proteger o amor com uma muralha de pó. Dançar com um vestido de escamas. Subir ao topo do fim.
Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 23/09/08
terça-feira, setembro 21, 2010
um poema de Adonis
Que é uma estrada?
Manifesto de partida
escrito numa página chamada terra.
Que é uma árvore?
Lago verde
Cujas ondas são vento.
Que é um espelho?
Uma segunda face
um terceiro olho.
Que é a praia?
Colchão para ondas cansadas.
Que é uma cama?
Noite dentro da noite.
Que é uma rosa?
Cabeça a decapitar.
Que é um travesseiro?
Primeiro degrau na escada da noite.
Que é a terra?
Futuro do corpo.
...
Que são lágrimas?
Uma guerra que o corpo perdeu.
...
Que é a nudez?
O começo do corpo.
Que é a memória?
Uma casa para abrigar coisas ausentes.
...
Que é escuridão?
O ventre de uma mulher grávida do sol.
...
Que é um beijo?
Colheita visível do invisível.
Que é a angústia?
Vincos na seda dos nervos.
Que é uma metáfora?
Um anel no dedo do acaso.
Que é um abraço?
O terceiro dos dois.
Que é o sentido?
O começo do absurdo
e o fim dele.
Nascido na Síria em 1930, Ali Ahmed Said adotou o pseudônimo de Adonis. Radicou-se depois em Beirute, no Líbano, e vive atualmente em Paris. É muitas vezes citado como candidato ao Nobel. Cito trechos de seu longo poema "Guia de Viagem pela Floresta do Sentido", a partir da tradução para o inglês publicada na revista Rattapallax número 12 (editora 34).
in http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/arch2006-07-01_2006-07-31.html)
Manifesto de partida
escrito numa página chamada terra.
Que é uma árvore?
Lago verde
Cujas ondas são vento.
Que é um espelho?
Uma segunda face
um terceiro olho.
Que é a praia?
Colchão para ondas cansadas.
Que é uma cama?
Noite dentro da noite.
Que é uma rosa?
Cabeça a decapitar.
Que é um travesseiro?
Primeiro degrau na escada da noite.
Que é a terra?
Futuro do corpo.
...
Que são lágrimas?
Uma guerra que o corpo perdeu.
...
Que é a nudez?
O começo do corpo.
Que é a memória?
Uma casa para abrigar coisas ausentes.
...
Que é escuridão?
O ventre de uma mulher grávida do sol.
...
Que é um beijo?
Colheita visível do invisível.
Que é a angústia?
Vincos na seda dos nervos.
Que é uma metáfora?
Um anel no dedo do acaso.
Que é um abraço?
O terceiro dos dois.
Que é o sentido?
O começo do absurdo
e o fim dele.
Nascido na Síria em 1930, Ali Ahmed Said adotou o pseudônimo de Adonis. Radicou-se depois em Beirute, no Líbano, e vive atualmente em Paris. É muitas vezes citado como candidato ao Nobel. Cito trechos de seu longo poema "Guia de Viagem pela Floresta do Sentido", a partir da tradução para o inglês publicada na revista Rattapallax número 12 (editora 34).
in http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/arch2006-07-01_2006-07-31.html)
segunda-feira, agosto 30, 2010
segunda-feira, agosto 16, 2010
Cuando obreros empiezan a construir un puente, cuando algún mago presenta una cuerda en un escenario, cuando unos niños juegan a jalar la reata, cuando un equilibrista callejero tiende un cable, invariablemente hay un momento en que la cuerda cuelga entre dos puntos, y sonrie.
Philippe Petit, To reach the Clouds. My high wire walk between the Twin Towers, Londres, Faber and Faber, 2003.
Philippe Petit, To reach the Clouds. My high wire walk between the Twin Towers, Londres, Faber and Faber, 2003.
segunda-feira, agosto 09, 2010
God Exists, the Mother is there, but they no longer care
Impure Company/Hooman Sharifi, Noruega
Textos traduzidos (trechos de Hannah Arendt, Pater Handke, Roland Barthes e Friedrich Nietzsche)
Deus existe, a mãe está presente, mas eles não se importam mais
Toda política e uma luta de poder. O grau máximo do poder é a violência. Poder e violência são opostos; onde um reina absolutamente, o outro está ausente.
A violência aparece onde o poder está em risco.
Opostos não se destroem, mas desenvolvem-se suavemente um dentro do outro porque as contradições não paralisam, e sim promovem o seu desenvolvimento. A violência não pode ser derivada de seu oposto, que é o poder.
A violência destrói o poder.
A violência é incapaz de criar poder.
Quem escreveu a história das lágrimas? Em que sociedades, em que períodos nós choramos? Por que a "sensibilidade", num certo momento foi transformada em "sentimentalidade"?
O poder não precisa de justificativas, sendo inerente à própria existência das comunidades políticas; o que ele precisa é de legitimidade.
A violência pode ser justificável, mas nunca será legítima.
A violência pode sempre destruir o poder; fora do cano de uma arma cresce o comando mais efetivo, resultante da mais instantânea e perfeita obediência. O que não pode nunca crescer fora da violência é o poder.
A extrema forma de poder é TODOS contra UM.
A extrema forma de violência é UM contra TODOS.
A verdade plana sobre mim como uma nuvem.
Ela me golpeia com uma luz invisível.
A sua felicidade sobe lentamente para mim.
Venha, venha, verdade amada.
(...)
O silêncio em breve vai invadir todas as vidas barulhentas destas pessoas sedentas de viver. É sempre como no último momento da partida de um navio de imigrantes: as pessoas têm mais a dizer uns aos outros do que jamais tiveram, a hora é tardia, e o oceano e seu siliencio desolador esperam impacientemente detrás de todo este barulho.
Antes que eu fosse, eu era.
Antes de ter me tornado, eu sou
Então eu sou aquilo que eu terei me tornado.
Eu terei me tornado aquilo que eu era.
Eu era tão logo eu terei me tornado.
Eu terei me tornado tão logo eu serei.
Eu serei enquanto eu terei me tornado.
Eu me tornarei porque eu sou.
Eu sou aquele que eu sou.
Eu não tenho diálogo com instrumentos do poder, do pensamento, do conhecimento, da ação. Eu não sou necessariamente "despoliticado". Eu sou meramente suspenso de ser humano, longe das coisas humanas. Não pertenço a nenhum repertório.
Não pertenço a nenhum repertório.
Não pertenço a nenhum repertório.
Não pertenço a nenhum repertório.
Não pertenço a nenhum repertório.
Não pertenço a nenhum repertório.
Não pertenço a nenhum repertório.
Textos traduzidos (trechos de Hannah Arendt, Pater Handke, Roland Barthes e Friedrich Nietzsche)
Deus existe, a mãe está presente, mas eles não se importam mais
Toda política e uma luta de poder. O grau máximo do poder é a violência. Poder e violência são opostos; onde um reina absolutamente, o outro está ausente.
A violência aparece onde o poder está em risco.
Opostos não se destroem, mas desenvolvem-se suavemente um dentro do outro porque as contradições não paralisam, e sim promovem o seu desenvolvimento. A violência não pode ser derivada de seu oposto, que é o poder.
A violência destrói o poder.
A violência é incapaz de criar poder.
Quem escreveu a história das lágrimas? Em que sociedades, em que períodos nós choramos? Por que a "sensibilidade", num certo momento foi transformada em "sentimentalidade"?
O poder não precisa de justificativas, sendo inerente à própria existência das comunidades políticas; o que ele precisa é de legitimidade.
A violência pode ser justificável, mas nunca será legítima.
A violência pode sempre destruir o poder; fora do cano de uma arma cresce o comando mais efetivo, resultante da mais instantânea e perfeita obediência. O que não pode nunca crescer fora da violência é o poder.
A extrema forma de poder é TODOS contra UM.
A extrema forma de violência é UM contra TODOS.
A verdade plana sobre mim como uma nuvem.
Ela me golpeia com uma luz invisível.
A sua felicidade sobe lentamente para mim.
Venha, venha, verdade amada.
(...)
O silêncio em breve vai invadir todas as vidas barulhentas destas pessoas sedentas de viver. É sempre como no último momento da partida de um navio de imigrantes: as pessoas têm mais a dizer uns aos outros do que jamais tiveram, a hora é tardia, e o oceano e seu siliencio desolador esperam impacientemente detrás de todo este barulho.
Antes que eu fosse, eu era.
Antes de ter me tornado, eu sou
Então eu sou aquilo que eu terei me tornado.
Eu terei me tornado aquilo que eu era.
Eu era tão logo eu terei me tornado.
Eu terei me tornado tão logo eu serei.
Eu serei enquanto eu terei me tornado.
Eu me tornarei porque eu sou.
Eu sou aquele que eu sou.
Eu não tenho diálogo com instrumentos do poder, do pensamento, do conhecimento, da ação. Eu não sou necessariamente "despoliticado". Eu sou meramente suspenso de ser humano, longe das coisas humanas. Não pertenço a nenhum repertório.
Não pertenço a nenhum repertório.
Não pertenço a nenhum repertório.
Não pertenço a nenhum repertório.
Não pertenço a nenhum repertório.
Não pertenço a nenhum repertório.
Não pertenço a nenhum repertório.
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